A fase dos 9 aos 12 meses é um contínuo de revelações e aquisições que surgem de forma exponencial neste período.

Em termos de doenças, temos boas notícias! Com o Programa Nacional de Vacinação (PNV) universal e gratuito em vigor, aos 12 meses, a criança completa a Primo vacinação para 12 doenças das 13 abrangidas pelos esquemas gerais do PNV.

Com o PNV, aos 12 meses de idade, a criança encontra-se protegida contra a hepatite B, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, doença invasiva por Haemophilus influenzae do serotipo b, infeções por Streptococcus pneumoniae de 13 serotipos, doença invasiva por Neisseria meningitidis do grupo B e do grupo C, sarampo, parotidite epidémica e rubéola.

E basta recorrer aos registos de mortalidade infantil para relembrar que em 1950 (era pré-PNV), 1 em cada 10 crianças morriam de causas evitáveis (taxa de mortalidade de 94,1 por 1000 nados vivos). Em 2019, a taxa de mortalidade infantil em Portugal foi de 2,8 por cada 1000 nascimentos.

A inclusão da Bexsero® no PNV, que protege contra a infeção provocada pela bactéria meningococos do grupo B, a maior causa de meningite no primeiro ano de vida, foi sem dúvida, mais um grande passo de equidade para a saúde das nossas crianças.

Aos 9 meses será uma boa idade para rever as vacinas extra-plano realizadas pelo seu filho e completar se necessário.

Apesar de todos os avanços da ciência na saúde da criança, ainda temos más notícias. Atualmente em Portugal, a maior causa de morte e incapacidade em crianças são os acidentes domésticos e de viação. E isso são más notícias, no sentido de que são causas de mortalidade na sua maioria previsíveis e, deste modo, passíveis de prevenção.

Num estudo realizado em crianças entre os 0 meses e 6 anos, observadas em Consulta de Saúde Infantil e Juvenil, verificou-se que uma percentagem considerável de famílias desconhecia ou não praticava métodos de prevenção de acidentes. Adicionalmente, constatou-se que 21% das crianças já tinha tido pelo menos 1 episódio de acidente.

Os acidentes mais comuns são: os acidentes rodoviários, o afogamento, as quedas, as intoxicações e as queimaduras.

Os profissionais de saúde são um elemento fundamental para reduzir o risco de acidentes, através da consciencialização dos pais das mudanças que devem fazer no ambiente e no impacto destas medidas na saúde dos seus filhos.

Dos 9 aos 12 meses, a criança inicia todo o seu processo de autonomia em termos motores, sendo esta a melhor fase para falar com o seu pediatra sobre mudanças a fazer na casa, para que a criança possa brincar e desenvolver-se de forma segura.

Ficam aqui algumas sugestões para prevenção de acidentes nesta faixa etária:

  • Nunca deixar baldes e recipientes com água pela casa
  • Nunca deixar o seu filho sozinho na banheira. Mesmo com água rasa é perigoso. Uns segundos bastam para que se afogue.
  • Na cadeirinha de viagem e de alimentação, sempre com os cintos apertados
  • Nunca usar voador/andarilhos
  • Não cozinhar com o bebé ao colo
  • Os brinquedos não devem ter peças pequenas. Cada peça deve ser maior do que o correspondente ao tamanho de uma moeda de 2 euros.

Alguns equipamentos a ter em casa para prevenir acidentes domésticos são:

  • Protetores de tomadas
  • Protetores dos cantos das mobílias
  • Proteção para lareiras
  • Fecho de segurança para gavetas e armários
  • Cancelas no primeiro e último degrau das escadas
  • Proteção dos espaços entre barras do corrimão da escada, se superiores a 6 cm
  • Bloqueio de fecho das portas para evitar entalamento
  • Protetores de forno
  • Tapetes antiderrapantes nas banheiras
  • Torneiras termorreguladoras
  • Termómetro para água da banheira (mesmo para esta faixa etária!)
  • Berço com fundo rígido e bordos altos
  • Cama estável, sólida e com grades de pelo menos 60 cm de altura e distância entre grades não superior a 6,5 cm; ou colchão no chão
  • Fechos de segurança nas portas de varandas e janelas, com abertura máxima de 6-10 cm
  • Gradeamento ou vedação para piscina com altura mínima de 1,10 m

Agora que a casa está segura para o seu bebé a explorar e estimular o seu desenvolvimento, ficam aqui algumas dicas de algumas atividades promotoras do desenvolvimento que pode fazer com o seu bebé nesta faixa etária:

  • Coloque o seu bebé perto de coisas onde ele se possa apoiar e ficar em pé com segurança.
  • Deixe a criança tomar algumas decisões visando a segurança.
  • Continue com as rotinas – agora são especialmente importantes!
  • Faça jogos simples em que tem que jogar à vez. Por exemplo, colocar um cubo num recipiente à vez com a mãe.
  • Diga em voz alta o que lhe parece que o seu bebé está a sentir. Por exemplo, “estás triste, vamos ver o que podemos fazer para que te sintas melhor”.
  • Copie os sons e palavras que o seu bebé emite.
  • Diga o que deseja que ele faça. Por exemplo, em vez de dizer “para quieto” diga “é hora de sentar”.
  • Ensina-lhe a relação “causa-efeito”, empurrando camiões para a frente e para trás, colocando e tirando cubos de um recipiente.
  • Descreva ao seu bebé tudo o que está a ver e com adjetivos. Por exemplo, “bola vermelha e redonda”.
  • Descreva o que o seu bebé quer quando ele aponta para algo.
  • Leia e fale com o seu bebé.
  • Estimule as tarefas/ordens simples; dar estímulo positivo após a realização destas.

Segue-se os sinais de alarme do desenvolvimento que devem motivar observação por pediatra para orientação clínica:

  • Não faz “gracinhas” e não procura preferencialmente a proximidade do cuidador principal
  • Não aguenta o peso nas pernas
  • Permanece imóvel, não procura mudar de posição
  • Apresenta assimetrias
  • Não pega nos brinquedos ou fá-lo só com uma mão
  • Não responde à Avó
  • Não brinca nem estabelece contacto.
  • Não mastiga

Bibliografia:

  1. Andreia Ribeiro, et al. Conhecimentos e práticas parentais sobre medidas preventivas de acidentes domésticos e de viação. Rev Port Med Geral Fam 2019; 35:186-95.
  2. www.ine.pt
  3. Programa Nacional de Vacinação 2020. Norma nº 018/2020 de 27/09/2020 da Direção Geral da Saúde.
  4. CDC’s Developmental Milestones. www.cdc.gov

Dra. Andreia Ribeiro