Amamentar é um percurso e cada história de amamentação é muito particular e especial, com um início e um fim.

E pelo meio? Repare como as dúvidas e desafios se tornam diferentes à medida que o tempo passa. Hoje convido-a a pensar sobre isso!

Grávida pode nem ter pensado em leite materno ou questionar-se acerca de amamentar, nas primeiras semanas preocupa-se com a produção e satisfação das necessidades de leite pelo bebé, mais tarde pergunta-se sobre a gestão da amamentação juntamente com outros alimentos e quando pensa que não há mais desafios, o bebé pede mama com mais frequência, desinteressa-se por mamar ou começam a surgir opiniões externas sobre um necessário desmame.

Neste percurso podemos ter algumas coisas como certas: o seu filho está a crescer; a vossa relação vai crescer; a relação com a mama vai também evoluir, o mundo do bebé vai-se ampliar e a relação com este mudará.

Por isso é muito diferente amamentar um bebé que mama em exclusivo, um bebé que come outros alimentos, um bebé de ano e meio ou mesmo uma criança de 4 anos… as suas necessidades nutricionais, afetivas, a sua relação com a mãe, a mama, o pai, o mundo… o seu entendimento do mundo… a sua capacidade para comunicar e se expressar… as suas competências motoras… tudo isto é distinto em cada fase de desenvolvimento.

Não se fala muito sobre amamentar um bebé mais crescido ou criança e por isso acredito que muitas mães/famílias são surpreendidas por alguns comportamentos/padrões de amamentação. Desde beliscar a mama, não aceitar outros alimentos em episódios de doença, alteração da pega com a erupção dos dentes, a criança colocar o seu super-herói ou peluche a mamar em tandem, pedir mama por qualquer outra necessidade que não alimento, colocar a mão dentro da camisola, zangar-se quando não damos mama de imediato.

Acredito que para a mãe/família desfrutar da amamentação prolongada implica que se esteja atenta às necessidades e “crescimentos” de todos!

Já tinha pensado nisso?

Rosa Santos
Enfermeira e Consultora internacional de Lactação Certificada

Sugestão de leitura: “À luz da nova evidência: Ingurgitamento e Mastite: O que (não) fazer?”